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Tudo dando certo, literalmente. Apesar das dificuldades, você tem aparentemente tudo o que precisa. Mas alguma coisa te puxa para baixo. Buscamos incansavelmente motivação. Nos manter equilibrados. Manter nossa mente e corpo saudáveis. Lidamos com a pressão do dia a dia, eu pelo menos, lido. Equipe, clientes, casa, família, namorado, cachorros, mudança, pagamentos, contas, reclamações, pessoas que se metem na sua vida sem dó nem piedade com seus pré – julgamentos. Foi preciso cortar o cabelo para parecer mais velha e assim ser mais aceita. Uma menina/mulher na direção de uma empresa de comunicação tão nova precisa mostrar mais maturidade. Chorar então é proibido. É você quem toca o barco e diz a direção, precisa manter as velas, o ritmo e enfrentar com coragem qualquer tempestade.  Tudo precisa dar certo. É você no controle da sua vida, da sua empresa, e tudo aquilo que só depende de você para dar certo. Esqueci de quantas vezes eu fui crucificada pela minha falta de mais idade e tive que provar o quanto eu era boa. E tenho provado cada dia mais. E tenho tido o reconhecimento sonhado.
 Mas nesses últimos dias eu como qualquer outro ser humano normal, que sente, afinal, eu ainda não sou uma máquina, eu tenho coração, vivências e experiências que me tornam o que eu sou, me sinto só. Acho de tanto esquecer de mim mesma, acabei me boicotando.
Não sinto vergonha nenhuma de pedir ajuda. De dizer que estou mal. Acho que ser humano é isso, é ter suas emoções expostas. É viver uma montanha-russa de emoções. Senti-las. Queria muitas vezes ser igual a pessoas que eu convivo, que jamais ficam tristes, ou ao menos escondem muito bem. Queria também não sentir grande felicidade para não criar expectativas, como pessoas que eu conheço fazem muito bem. Talvez seja por isso que eu ando tão triste. É triste demais conviver assim, na superficialidade dos sentimentos. Sem saber o que se passa. Tem coisas que já não me tocam. Tem coisas que tocam mais do que deveriam tocar. Choro em comerciais de margarina. Me sinto só no meio da multidão. Sinto falta daquilo que nem sei se me faz falta, mas faz.  Sinto falta da paixão pelos dias. Sinto falta de estar emocionada, de ser emocionada. Sinto falta de andar de bicicleta com meu pai aos domingos e de natais felizes. Sinto falta de assistir desenho animado e ler mais livros de crônicas. Acho que por mais a gente tente fugir da nossa essência, voltamos a ela. A tristeza bate a nossa porta para nos dizer que algo em nosso sistema está errado, algo precisa ser arrumado. E este então é o momento. Momento de nos ajudarmos a melhorar para nós e para os outros… E ter coragem muitas vezes de admitir… Que às vezes, nós também precisamos de ajuda. 

Momentos bacanas são muito bons… Mas é na tristeza que percebemos a qualidade das nossas boas relações. É na tristeza que descobrimos os grandes amigos e os grandes amores. Aqueles que de fato nos amam. E que estarão conosco nos nossos dias de risos, e nos ajudando nos nossos dias de choro… Mesmo sem a gente saber ao certo, o motivo concreto.

Quando eu não puder sorrir… Fique aqui.Me conte uma história. Me mostre a glória de ser quem eu sou. Me faça ficar e voltar a superfície de mim. Me embale e me abrace tão forte, tão forte, que meus pulmões façam força para respirar, e assim, respirando, voltem a sentir a vida que oscila em um suspiro. Quando eu não puder sorrir, diga o quanto me ama, e que tudo vai dar certo. Que o passado passou. E me faça ficar, me mostre as belezas das ruas, das flores, dos perfumes. Mude o ritmo do meu passo. Quando eu não puder sorrir… Venha e sorria… Quando as velas se apagarem dentro de mim, seja a minha luz. Ilumine a minha alma e os meus becos sem saída. 
E por favor, me dê a mão bem forte. Para que eu me sinta protegida, para que eu me sinta amada.

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